Falando em comida, estou ficando chato na procura do “que é bom aqui?” durante minhas viagens de trabalho, como podem acompanhar por posts anteriores. (explico: viajo pelo Brasil em reportagens de economia e infraestrutura para algumas revistas do Grupo Fiat).
Desde segunda estou no Espírito Santo. Por dois dias, percorri o Norte. Hoje, o Sul, de Vitória até Cachoeiro do Itapemirim.
O norte não tem nada de especial. Procurei, perguntei e não encontrei nenhuma tradição de comida, merenda ou quitute em cidades como Colatina, Baixo Guandú, São Gabriel da Palha, São Francisco e São Domingos do Norte. Churrascaria de posto e self-service. Só. Tiro certo.
O Sul, por sua vez, mas ligado ao litoral, tem a tradicional moqueca capixaba (muito bem feita em muitas casas aqui e em todo o Brasil, como no Badejo de BH, ali na Rio Grande do Norte).
Contudo, eu não conhecia o famoso bolinho de aipim de Meaípe. Bem, bolinhos de aipim tem em tudo quanto é canto, mas o de Meaípe, que o meu parceiro local de viagem me garantiu e apresentou, nunca tinha comigo. E são famosos mesmo, pois nas poucas e tradicionais lojinhas que o vendem tem placa do Guia 4 Rodas e do Comer e Beber da Veja. Ou seja, caíram no “establishment” culinário.
Por que eles são diferentes? Primeiro, porque cada um é uma refeição. São do tamanho de uma manga rosa.O guaraná dá a proporção.

Segundo, porque são muito crocantes, quase duros e eu fui pesquisar o motivo. “Bem, é que depois de amassados, a gente mistura com margarina. Não colocamos farinha, nem nada. Ele fica durinho” – “Ah, entendi, mas é a margarina que faz essa crosta?” – “A gente mistura com margarina, é isso”, e o moço não me deu mais bola. Percebam a casca, como é durinha. O meu era de camarão. Muito bom o molho.

R$ 6,50 cada um. O cardápio da Zezé, “o point da praia”, a mais antiga das casas, é pintado na parede.

Meaípe tava uma graça. Nesta época de passagens baratas e “incremento do consumo” (tsc), os mineiros abandonaram um pouco o Espírito Santo. Mas, pelo menos para mim, suas praias guardam a melancolia e o encanto de uma infância feliz. Hoje quase tirei o tênis e fui fazer castelinho…
