Arquivo do mês: março 2011

É isso

Pessoal,

Prometemos esclarecimentos sobre o fim do Café do Sol:

Antes de tudo, comunicamos que a casa amarela não fechará um dia sequer. Não haverão reformas. Na segunda-feira após a festa de despedida do dia 02 de abril, a casa estará funcionando normalmente.

O que muda? O conceito, a sociedade, o nome e o negócio.

CONCEITO:

A casa amarela da Contorno não será mais um espaço voltado para entretenimento e música (claramente identificada na decoração e agenda), que recebia semanalmente muitas festas pessoais e empresariais. Será um restaurante, que irá funcionar dia e noite. Provavelmente uma pizzaria.

SOCIEDADE:

Eu, Alex Horta e o Sérgio Rodrigues saímos do negócio. O Júlio Magro, que está no ramo de alimentação com casas no BH Shopping e Itaú Power, continua e irá reestruturar e implementar novos planos.

Uma pergunta natural é se brigamos. Não. Apenas não queremos continuar no formato futuro. Eu, pela clara preferência por ambientes mais musicais e menos clássicos. E também pelo aumento de atividades como jornalista. Serginho, pela demandada agenda profissional, que em menos de um ano cresceu expressivamente.

Outra pergunta cabível é se o Café estava dando prejuízo. Não. No segundo semestre do ano passado, com a decisiva contribuição do gerente Alexandre Menezes, conseguimos contornar os erros iniciais, amortizar investimentos e desenvolver o Café do Sol. Janeiro e fevereiro foram positivos e a tendência é melhorar.

NOME:

Não será Café do Sol. Não faz sentido “traírmos” sua essência festiva e boêmia e portanto o novo negócio que ali será alocado terá outro nome, logomarca e materiais de identificação, bem como sua decoração.

NEGÓCIO:

Face a ambiente futuros, a casa precisa desenvolver seu faturamento, para não estacionar. Diante disso, foi provado que é importante ampliar seu leque de opções. Assim, o almoço voltará em sua rotina, bem como outros serviços, como delivery.

A matemática se sobrepôs a qualquer hedonismo. Não que o último inviabilize o negócio, mas a primeira grita nos relatórios. Assim, permanece quem profissionalmente se dedica ao ramo: Júlio Magro.

(…)

Mudando um pouco o sentido dessa conversa, aviso que em março todas as sextas continuam a ser da Elaine Anunan. Quem ainda não a viu no café, corra. Ela já está convidando um tanto de gente.

A banda GBB (minha, do Cesinha, Cheib e Olavo), que tanto tocou em nosso palco, tem duas datas em março: dia 19 e na festona do dia 02/04, junto com Pepê e os Outros Dois (Maguá, eu e Pepê).

O Samba na Varanda, que ficaria apenas até o carnaval, estende mais uma temporada e vai conosco até o dia 02/04. Todo sábado tem samba!

Ah, e tem ainda uma data do Gustavo Maguá no meio de março. Ele só está conferindo quais as quintas-feiras irá parar no Sol.

Março é para celebrarmos!

(…)

Bem, é isso, pessoal.

Esperamos que compreendam. Sabemos que decepcionamos alguns corações, que aprenderam a adorar essa casa como nós, porém a canoa virou o bico e nos restou remar.

Eu, Alex (ou Gina), que amo aquele lugar e ali aprendi a ser dono de bar, prometo que diariamente buscarei opções para que a festa possa continuar. Nem que for fazendo algumas escondidas na própria casa.

Para mim, foi ótimo esse 1 ano e meio. E foi uma grande e orgulhosa experiência construir (literalmente, inclusive) o Café do Sol.

Em nome do Sérgio e do Júlio, agradeço a todos os amigos e clientes. Obrigado pelas companhias, sorrisos, palmas, abraços e brindes.

Bola pra frente!


Júlio, Serginho e Alex.


FIM

O Café do Sol, entendido como um espaço lúdico de festas, brindes e música boa, acaba no dia 02 de abril.

Em um próximo post, entregamos alguns porquês e contamos a agenda de festas e despedidas que acontecerá em março. Preparem-se.

Por agora, apenas o poema de Drummond.

Seu Odeon torna-se minha casa amarela.

 

O FIM DAS COISAS

Fechado o Cinema Odeon, na Rua da Bahia.
Fechado para sempre.
Não é possível, minha mocidade
fecha com ele um pouco.
Não amadureci ainda bastante
para aceitar a morte das coisas
que minhas coisas são, sendo de outrem,
e até aplaudi-la, quando for o caso.
(Amadurecerei um dia?)
Não aceito, por enquanto, o Cinema Glória,
maior, mais americano, mais isso-e-aquilo.
Quero é o derrotado Cinema Odeon,
o miúdo, fora-de-moda Cinema Odeon.
A espera na sala de espera. A matinê
com Buck Jones, tombos, tiros, tramas.
A primeira sessão e a segunda sessão da noite.
A divina orquestra, mesmo não divina,
costumeira. O jornal da Fox. William S. Hart.
As meninas-de-família na platéia.
A impossível (sonhada) bolinação,
pobre sátiro em potencial.
Exijo em nome da lei ou fora da lei
que se reabram as portas e volte o passado
musical, waldemarpissilândico, sublime agora
que para sempre submerge em funeral de sombras
neste primeiro lutulento de janeiro
de 1928.


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